Depois de uma semana de acampadas, assembleias e protestos a dar vida às praças de Lisboa e do Porto, o movimento pelo direito à habitação volta a sair à rua. Desta vez, a mobilização ganha escala nacional e estende-se a várias cidades do país, com um objetivo claro: exigir respostas urgentes para uma crise que já sufoca famílias de norte a sul.
Horários e pontos de encontro
Se queres juntar-te à luta, consulta a agenda para os próximos dias:
| Cidade | Dia | Hora | Ponto de Encontro |
|---|---|---|---|
| Évora | Sexta, 23 de outubro | 18h00 | Praça do Sertório (centro histórico) |
| Faro | Sábado, 24 de outubro | 10h00 | Praça da Liberdade (Pontinha) |
| Lisboa | Sábado, 24 de outubro | 15h00 | Marquês de Pombal $\rightarrow$ Rossio |
| Porto | Sábado, 24 de outubro | 16h00 | Praça da Batalha $\rightarrow$ Praça D. João I (assembleia popular às 19h30) |
| Aveiro | Sábado, 24 de outubro | 15h00 | Praça da República (junto à Câmara Municipal) |
| Braga | Sábado, 24 de outubro | 15h00 | Chafariz da Avenida Central |
| Coimbra | Sábado, 24 de outubro | 15h00 | Praça 8 de Maio |
| Funchal | Domingo, 25 de outubro | 18h00 | Jardim Municipal (assembleia popular) |
O Alentejo já deu o mote: em Évora, cerca de uma centena de pessoas juntou-se em frente à Câmara e decidiu em assembleia marcar novo protesto no Sertório, apelando à participação de todos. Em Beja, meia centena de cidadãos reuniu-se na Praça da República em solidariedade com os acampamentos das duas maiores metrópoles.
No domingo é a vez do Funchal — atualmente a segunda cidade mais cara do país para comprar casa —, que acolhe uma assembleia popular no Jardim Municipal para fechar a mobilização do fim de semana.
A origem do movimento
Instaladas no Rossio (Lisboa) e na Praça D. João I (Porto) desde o dia 10 de outubro, as acampadas têm sido o motor de uma vaga diária de debates, ações de denúncia e dinamização comunitária. Foi precisamente nessas assembleias que nasceu a convocatória para este sábado, com convites estendidos às centrais sindicais (CGTP e UGT).
A mensagem das ruas é direta: a crise da habitação transcende a gestão municipal e exige medidas imediatas por parte do Governo central, a quem o movimento acusa de proteger os interesses da especulação imobiliária em detrimento do direito à cidade.
O peso dos números
A escalada dos preços deixou há muito de ser um fenómeno exclusivo de Lisboa ou do Porto. Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística mostram que o preço mediano da habitação disparou para 2.445 €/m² no segundo trimestre — um salto de 18,4% face ao ano anterior. Na prática, um apartamento banal de 100 metros quadrados custa agora, em média, 244.500 euros.
A subida sentiu-se nas 26 sub-regiões do país, liderada por regiões como o Médio Tejo (+25,4%), o Oeste (+24%) e a Península de Setúbal (+22,2%). Ironicamente, enquanto os preços sobem, as vendas caem: transacionaram-se menos 9% de casas no mesmo período, sinal claro de um mercado bloqueado e inacessível para a maioria de quem precisa de teto.
Das praças ao Parlamento
Para além da presença nas ruas, o movimento do Porto está a promover uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos com o intuito de levar diretamente à Assembleia da República seis medidas concretas:
- Reversão da atual lei do arrendamento;
- Suspensão imediata dos despejos sem alternativa habitacional;
- Travão à compra de fogos residenciais por fundos imobiliários;
- Alargamento significativo do parque público de habitação;
- Fixação de teto máximo para as rendas;
- Mobilização obrigatória de imóveis devolutos para habitação.
"Se temos de usar os instrumentos democráticos conquistados pelo 25 de Abril para defender o direito a ter casa, é exatamente isso que vamos fazer", destacou Carminho Guerra durante a apresentação da iniciativa na assembleia do Porto.
Como participar
Para te juntares, basta apareceres no ponto de encontro da tua cidade à hora marcada — não há inscrições nem burocracias. No Porto, a marcha culmina numa assembleia aberta a todos, às 19h30, na Praça D. João I.
Fontes: esquerda.net, Público, RTP Notícias, CGTP-IN, Correio da Manhã.
