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Mudança de contrato de trabalho em FP

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Sandeca Desligado
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    Mudança de contrato de trabalho em FP

    17 Mar. 2026 12:34
    #28565
    Bom dia, sou Assistente Técnica numa Escola (pertenço ao Município) desde 2021, apesar de ser licenciada. Concorri em outubro 2025 a um concurso de Escola para um CFAE como Técnico Especializado a desempenhar funções não docentes, com termo a 31/08/2026, no qual fui selecionada no início de dezembro. Solicitei por escrito aos RH da Câmara uma licença sem remuneração até 31/08/2026, explicando a situação. Havia acordo entre a Diretora da minha Escola e o Diretor do Centro de Formação que me cederia 2 dias por semana à Escola, sem custos associados para o Município, portanto estava tudo articulado para que eu pudesse transitar para o outro serviço. No entanto, os RH disseram por telefone que a licença não seria aprovada e que teria que me desvincular do Município, pagando o pré-aviso de 60 dias porque seria para ingressar na semana seguinte no CFAE. Recusei fazê-lo, mantendo-me como Assistente Técnica.
    Qual não é o meu espanto quando, a 26/01/2026, a Diretora da escola me convoca porque tinha recebido um e-mail do Município a autorizar a minha Licença sem vencimento a partir de 28/01/2026 (data em que já não poderia aceitar o cargo novo). Reclamei por e-mail à Câmara toda a situação, que me prejudicou financeiramente, e até hoje não obtive qualquer resposta. Esta situação é legal? Poderia ter-se desenrolado de outra forma?

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    P
    Pedro Ferreira Desligado
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    Pedro Ferreira
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    Re: Mudança de contrato de trabalho em FP

    17 Mar. 2026 13:29
    #28566
    Sandeca, a tua situação é mais comum do que parece — e, infelizmente, é um exemplo de má gestão administrativa, falta de comunicação interna e violação dos princípios de boa‑fé que a Administração Pública deve cumprir.

    Vou analisar o que é legal, o que não é, e o que poderia (e deveria) ter acontecido.

    ⭐ 1. A Câmara podia recusar a licença?
    Sim, podia.
    A licença sem remuneração não é um direito automático na Administração Pública — depende sempre de autorização da entidade empregadora pública.
    Ou seja:
    • a Câmara podia legalmente recusar
    • mas tinha de o fazer por escrito, fundamentando a decisão
    • e dentro de um prazo razoável
    👉 Recusar por telefone não é válido.
    👉 Não responder ao teu pedido por escrito é ilegal.

    A Administração Pública tem dever de resposta, mesmo que seja para dizer “não”.

    ⭐ 2. O que é ilegal na tua situação
    Há três problemas sérios aqui:

    ✔️ 1) A decisão foi dada por telefone
    Isto não tem validade jurídica.
    Decisões administrativas têm de ser:
    • escritas
    • fundamentadas
    • notificadas formalmente
    ✔️ 2) A resposta escrita chegou tarde demais
    A licença foi autorizada um mês depois, quando já não tinhas como aceitar o novo contrato.
    Isto viola:
    • o princípio da boa‑fé
    • o princípio da colaboração
    • o princípio da decisão em prazo razoável
    • o dever de eficiência da Administração Pública
    ✔️ 3) O atraso causou‑te prejuízo real
    Perdeste:
    • um contrato melhor
    • uma função compatível com a tua licenciatura
    • rendimento superior
    • uma oportunidade profissional que não volta
    Isto configura dano patrimonial e não patrimonial.

    ⭐ 3. Poderia ter-se desenrolado de outra forma?
    Sim — e de forma muito simples.
    A Câmara podia ter:
    • respondido ao teu pedido dentro de 10–15 dias
    • autorizado a licença antes da data de início do novo contrato
    • ou recusado por escrito, permitindo-te decidir se querias desvincular-te ou não
    • articulado com a escola e o CFAE (que já tinham acordo entre si)
    Nada disto aconteceu.
    O que houve foi:
    • atraso injustificado
    • comunicação deficiente
    • falta de resposta formal
    • decisão tardia que te prejudicou
    ⭐ 4. A situação é legal?
    Não.
    O atraso e a falta de resposta formal violam:
    • Código do Procedimento Administrativo
    • dever de decisão em prazo razoável
    • dever de fundamentação
    • dever de boa‑fé
    • dever de colaboração
    • dever de eficiência
    Além disso, o comportamento da Câmara causou-te prejuízo direto, o que abre a porta a:
    • reclamação formal
    • queixa à Inspeção-Geral de Finanças (IGF)
    • pedido de responsabilidade civil extracontratual do Estado (sim, existe)
    • reclamação hierárquica
    • participação ao Provedor de Justiça
    ⭐ 5. O que podes fazer agora (se quiseres avançar)

    ✔️ 1) Enviar nova reclamação formal
    Exigir resposta escrita e fundamentada.

    ✔️ 2) Reclamação hierárquica
    Para o Presidente da Câmara.

    ✔️ 3) Queixa à IGF
    A IGF fiscaliza ilegalidades na Administração Pública.

    ✔️ 4) Provedor de Justiça
    Muito eficaz em casos de atrasos e decisões injustas.

    ✔️ 5) Pedido de indemnização
    Se quiseres ir mais longe, tens base para pedir compensação por:
    • perda de oportunidade profissional
    • danos financeiros
    • danos morais
    ⭐ 6. Conclusão
    • A Câmara podia recusar, mas não podia fazê-lo por telefone.
    • A Câmara não podia demorar um mês a responder.
    • A Câmara não podia prejudicar-te por falta de decisão atempada.
    • A autorização tardia não cumpre os princípios legais da Administração Pública.
    • Tens base sólida para reclamar e exigir resposta formal.

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