As redes sociais abrem um mar de possibilidades ao criar conexões que nos permitem conversar com pessoas do outro lado do planeta e criar futuras oportunidades sociais ou profissionais.

Mas, como todas as coisas boas da vida, podem tornar-se prejudiciais. Um relatório recente estima que 210 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a dependência de websites como o Facebook ou o Instagram.  É um tópico complexo e sobre o qual ainda estamos a aprender.

O que torna esta dependência tão comum?

Um grande motivo é o ambiente onde estamos inseridos.

Na sociedade ocidental, existe uma pressão invisível para manter as aparências. As redes sociais são a oportunidade ideal para apresentar ao mundo uma versão açucarada de nossas vidas e, ao mesmo tempo, fazer-nos sentir bem. Existe inclusive uma hashtag hilariante, #humblebrag, usualmente associada a auto elogios demasiado presunçosos.

Além disso, adoramos saber o que as outras pessoas fazem. Antigamente, duas pessoas trocavam impressões entre si sempre que algum indivíduo ‘estranho’ à comunidade era avistado no fundo a rua. Atualmente, a versão digital leva-nos a ver as suas fotos, ler os seus comentários e a formar nossa opinião, mesmo que sejam completos estranhos. A coscuvilhice nunca saiu, nem nunca sairá, de moda.

Mas como é que isso pode ser um problema?

O ciclo vicioso

A dependência das redes sociais deve ser tratada como qualquer outro vício. Estudos, como o livro Addicted by Design, mostram que websites como o Twitter utilizam técnicas semelhantes às empresas de apostas para ‘prender’ os utilizadores num ciclo vicioso.

Acredita-se que as notificações pop-up que surgem no seu ecrã quando um amigo gosta da sua publicação, oferecem uma dopamina semelhante a uma pequena vitória nas slots online. Estas pequenas vitórias nas slots criam dependências psicológicas, onde subconscientemente procuramos alcançar a vitória seguinte jogando novamente ou, no caso das redes sociais, continuando a navegar.

Naturalmente, se não atingirmos a próxima ‘vitória’, teremos um sentimento negativo, ou até um vazio, que pode ser comparado à ressaca que um toxicodependente sente na ausência de drogas – embora de forma muito menos intensa.

Tais emoções alimentam problemas psicológicos, incluindo a ansiedade e a depressão, que podem afetar seriamente a qualidade de vida de um indivíduo.

Falta de autoestima

Como mencionado anteriormente, as redes sociais são uma grande oportunidade para mostrarmos ao mundo uma versão onírica das nossas vidas.

Para provar isso, basta olhar para websites como o Instagram, onde muitos utilizadores aparentam ter uma vida cor-de-rosa: "Eu, descansando numa praia de areia branca - não sou um sucesso?"

Estas publicações são validadas por likes, visualizações e comentários. Mas o que acontece se não tal não for alcançado como idealizado? Provavelmente uma grande sensação de frustração, algo que pode inclusive diminuir a autoestima.

Tudo isto é simplesmente um reflexo do mundo real. A população mundial é bombardeada com campanhas publicitárias, onde figuram modelos com corpos que são vistos como ideais ou com bens – como carros, casas e outras coisas – transversalmente apreciados pela sociedade.

A maioria de nós não consegue atender a essas expectativas! Simplesmente não é possível que todos nós tenhamos uma aparência de modelo ou um mercedes na garagem. Mas, com as redes sociais criando uma visão ilusória sobre as vidas perfeitas dos nossos amigos digitais, muitos utilizadores das redes sociais desenvolvem sentimentos de baixa autoestima, quando sentem que não conseguem alcançar esses altos padrões de vida.

Se as redes sociais podem levar à falta de autoestima, a verdade é que o ‘antídoto’ pode ser encontrado online, pois existem blogs e websites que fornecem dicas para aumentar a sua autoestima.

A falta de concentração

Já pensou que neste momento somos a geração de seres humanos mais informada da história?

As respostas a tudo o que queremos saber estão à distância de um toque no ecrã do telemóvel, sendo muitas vezes transmitidas de forma curta e objetiva. No Twitter, os posts estão limitados a 280 caracteres; no Tik-Tok, os utilizadores têm no máximo um minuto para transmitir a sua mensagem. O entretenimento está disponível e, se não gostarmos, podemos simplesmente saltar para outro conteúdo numa questão de segundos.

Assim sendo, é natural que a nossa atenção esteja constantemente a ser posta à prova. Porque devemos gastar tempo pensando nas coisas quando estas são apresentadas num ‘prato pequeno’? O problema é que a falta de atenção pode levar a problemas de comunicação que alimentam sentimentos de isolamento e ansiedade.

Como lidar com este problema?

Antes de mais, pense quanto tempo gasta a fazer scroll seus feeds. Faça o exercício de cronometrar e registar o tempo que gasta nas redes sociais durante uma semana e compare com o tempo recomendado. Se constatar que despende demasiado tempo, tome uma ação direta.

A boa notícia é que todos podemos adotar alguns comportamentos com vista a reduzir a dependência das redes sociais:

  • Imponha limites diários para a utilização das redes sociais recorrendo, se necessário, a aplicações com esta finalidade.
  • Estipule alguns horários nos quais não acederá a quaisquer conteúdos digitais. Por exemplo, desconectar-se do mundo digital uma hora antes de ir dormir, permitirá que o seu cérebro relaxe e levará a uma melhor qualidade de sono. Se correr bem, poderá considerar estender este detox digital por períodos mais alargados.
  • Procure um novo passatempo: encontrar um novo hobby ajudará a manter-se distraído(a) e a não sentir a necessidade de verificar o seu telemóvel de 10 em 10 minutos.
  • Se todas as sugestões mencionadas anteriormente se revelarem difíceis de implementar, pode consultar especialistas que lhe proporcionarão ajuda e aconselhamento.

Dito isto, quebrar um hábito é algo muito mais fácil de dizer do que fazer. Requer tempo e perseverança mas, no caso das redes sociais, o esforço pode valer a pena.

A chave é perceber que as redes sociais são uma escolha, não uma necessidade. Este é o primeiro passo para reduzir a dependência das redes sociais e, consequentemente, alcançar um estado de equilíbrio entre o mundo real e o mundo virtual.

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