Horas de Sonho - Aprender a aprender… o papel dos pais - Fatores que influenciam as aprendizagens

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O regresso às aulas é um momento vivido por todas as famílias. Se para uns é vivido com alguma ansiedade porque marca um período de reencontros, para outros, será vivido de forma mais intensa, porque marca a transição de um ciclo da vida.

Se para uns alunos é vivido com alguma ansiedade porque marca o tão esperado reencontro com os pares, o conhecimento dos novos professores e o início de mais um ano letivo, para outros, este momento é vivido de forma mais intensa, porque marca a entrada para o 1º ciclo, a transição de ciclo, a mudança de escola, ou ainda do ponto de vista dos pais, o ajuste à rotina letiva, as listas de manuais escolares, os novos materiais, o aumento das despesas mensais, a conciliação do mundo do trabalho com o mundo familiar, a mala nova, o lápis e a borracha, quem vai buscar e pôr à escola, entre muitos outros aspetos que invadem a vida familiar ao longo do ano letivo.

Investigações recentes demonstram que cada vez mais os pais assumem a responsabilidade de apoiar os seus educandos nas trajetórias escolares, investindo na construção de projetos formativos, educativos e profissionais, sendo o percurso escolar parte integrante do projeto da família.

É no meio familiar que a criança cria uma matriz de relação consigo própria e com os outros e, embora sejam vários os intervenientes no percurso escolar de cada aluno, os pais são um dos intervenientes que mais influencia os seus educandos através de mensagens verbais e atitudinais, implícitas e explícitas, e ainda intencionais ou não intencionais.

Se todos nós sabemos que o envolvimento das famílias no percurso escolar dos seus filhos é um fator preditor de sucesso escolar, vamos refletir sobre alguns dos fatores que condicionam as aprendizagens e de que forma cada pai e/ou mãe poderá assumir o papel de facilitador da aprendizagem dos seus filhos.

Um dos principais fatores é a MOTIVAÇÃO que corresponde à vontade e desejo de aprender do aluno. A motivação não se impõe, mas trabalha-se! Explique ao seu filho o benefício do estudo, a aplicação das suas aprendizagens escolares no dia-a-dia, reforce e valorize positivamente o esforço e envolvimento nas atividades escolares, todos sabemos que um elogio pode mudar o nosso dia, por isso ponha em prática! Pense na sua própria vivência escolar e nas crenças que tem acerca deste meio, um adulto que não tem gosto pelo meio escolar dificilmente consegue motivar a criança.

Um segundo fator facilitador da aprendizagem é a AUTONOMIA que corresponde à capacidade da criança ser livre e independente do ponto de vista moral e intelectual. O ritmo de aquisição de autonomia varia de criança para criança. Incentive o seu filho a fazer escolhas, ao dar-lhe essa oportunidade está a prepará-lo para a vida adulta e não se trata de escolher estudar ou não estudar, fazer ou não o TPC, pode escolher se pretende iniciar o TPC por Matemática ou por Português, por exemplo.

Encontre nas tarefas escolares o ponto de equilíbrio de autonomia, ou seja, o que o seu filho consegue realizar sozinho e o que necessita de apoio, não o confronte com tarefas muito exigentes nem muito fáceis. Incentivando a autonomia, pouco a pouco, o seu filho irá perceber o seu papel de aluno e as exigências que lhe são associadas e assim poderemos trabalhar um outro fator a RESPONSABILIDADE.

É importante responsabilizar a criança ou jovem pelo desempenho do seu papel de aluno, no entanto, os pais não se podem esquecer que os filhos só poderão ser responsabilizados por atividades e tarefas que estão de acordo com o seu nível de desenvolvimento. Deveremos também pensar quantas vezes somos pouco claros na passagem de informação, se por um lado exigimos responsabilidade por outro lado desresponsabilizamos, vejamos se estas frases não lhe são familiares:

“O João não é nada bom a Matemática, sai ao pai, o que se há-de fazer?”

“Tens um recado na caderneta!? Mas quem é que a professora pensa que é, agora é recados todos os dias? Não deve ter mais nada que fazer da vida!”

“Tiveste negativa no teste!? Pois a Maria nunca te deixa prestar atenção à aula.”

Todos nós já ouvimos ou adotamos este tipo de comentários mesmo em frente à criança. Devemos estar atentos a todos os fatores que influenciam estas vivências escolares, mas não devemos desresponsabilizar a criança, a desresponsabilização é um caminho muito fácil e a criança poderá adotar esta estratégia para a vida, pois é mais confortável para si própria. Experimente perguntar ao seu filho “Como não depende de nós mudar a professora, o colega, o trabalho, o que achas que poderíamos fazer para melhorar/ultrapassar esta situação?”.

Por último, será igualmente importante refletirmos sobre os momentos de REALIZAÇÃO DOS TPC. Por vezes é nestes períodos que todos os membros da família chegam aos seus limites, o cansaço de pais e filhos, os problemas do dia-a-dia, o chefe, o trânsito no caminho para casa, as tarefas domésticas... seria igualmente agradável para pais e filhos que os TPC desaparecessem.

No entanto, é importante pensarmos porque existem! E se na escola o seu filho aprende, ao realizar exercícios as aprendizagens transformam-se em competências, é esse o objetivo. É igualmente importante perceber que o papel dos pais não é ensinar (esse é o papel do/a professor/a), aos pais cabe apoiar, motivar, perceber as temáticas trabalhadas, para por exemplo, ajudar o seu filho a implementar e perceber a utilidade das aprendizagens realizadas no seu dia-a-dia.

Para além dos fatores referidos, existem muitos outros igualmente importantes que poderiam ter sido abordados, ficam apenas alguns conselhos, reconhecendo que não existem receitas mágicas e que cada pai/mãe pelo conhecimento aprofundado que tem do seu filho saberá quais as estratégias que poderão ser mais eficazes. É fundamental reter que o envolvimento dos pais na vida escolar dos seus filhos é um dos maiores preditores de sucesso académico, por isso… envolva-se!

Ana Sofia Nobre
Psicóloga da Educação e da Orientação da Horas de Sonho, apoio à criança e à família, crl

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