25 Abril - Revolução dos Cravos

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25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen
Do livro "O Nome das Coisas" (1977)

Sobre os Símbolos

Não são os únicos, não agiram isolados, não representam toso o espírito da revolução, não abrangem todo o simbólico, mas não podemos deixar de notá-los.

25 de Abril - Cartaz do 1º AniversárioCravos vermelhos

O cravo vermelho ficará para sempre associado à revolução de Abril de 1974. Na memória, a imagem de uma criança que coloca um cravo vermelho no cano de uma espingarda, no sentimento, o símbolo de um movimento revolucionário. Tudo terá começado por coincidência: ao amanhecer, as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, apoiando os soldados revoltosos, e alguém - terá sido uma florista - começou a distribuir cravos vermelhos pelos soldados que os colocaram nos canos das espingardas.". O vermelho também foi coincidência, mas seviu na perfeição os objectivos da revolução já que a cor é o simbolo do princípio da vida, da sua força, do seu poder e do seu brilho.

Catarina Eufémia

Catarina Eufémia nasceu em 1928, na aldeia de Baleizão, Beja. Era uma assalariada rural - ceifeira - pobre e analfabeta, como tantas outras mulheres alentejanas. A sua vida teria sido anónima, como a de tantos outros alentejanos da sua condição, se não tivesse sido morta pela GNR na sequência de reivindicações de melhores salários e tratamento digno, o que a tornou um símbolo da resistência e contestação ao regime salazarista. O Alentejo era uma região de latifúndios e de emprego sazonal, onde as condições de vida dos camponeses sem terras e assalariados eram extremamente duras. Esta situação sócio-económica e laboral penosa agitou os camponeses da região a partir de meados dos anos 40, agudizando-se nas duas décadas seguintes e gerando um permanente clima de agitação social no campesinato. Os inúmeros túmultos e as frequentes greves rurais eram vigiadas pela PIDE, que procurava infiltrados e agitadores comunistas, e acabavam sempre com a intervenção da GNR. A 19 Maio 1954, em Baleizão, um grupo de camponeses em greve dirigiu-se à residência do patrão. Entre eles estava Catarina. Reivindicava-se, entre outras coisas, um aumento da jorna (salário de um dia de trabalho) para as mulheres na campanha da ceifa de 16 para 23 escudos (de 8 para 12 cêntimos). A GNR apareceu, como tantas outras vezes, acabando por intervir. Para além dos tiros de intimidação, para dispersar a concentração de camponeses, normalmente atirados para o ar, outros houve que tiveram um destino sangrento. Catarina Eufémia foi morta. Este assassinato foi uma das mais brutais ações do regime de Salazar, pelas mãoes da GNR, originando uma revolta surda e contida entre as massas rurais alentejanas. Catarina tornou-se um símbolo, um modelo de mulher, mãe e militante, promovido, sobretudo, pelo Partido Comunista Português. Os cantores de intervenção e os poetas opositores ao regime não deixaram de cantar a camponesa assassinada: José Afonso, Sophia de Mello Breyner ou José Carlos Ary dos Santos, entre outros. No imaginário popular e oposicionista, o assassinato de Catarina Eufémia era a demonstração clara da crueldade e brutalidade dos métodos e formas de resposta por parte do regime às desigualdades e injustiças que apoiava e mantinha.

Humberto Delgado

Humberto Delgado nasceu em 1906, em Boquilobo, Torres Novas. Jovem oficial, participou no movimento militar de 28 Maio 1926 que derrubou a República liberal e implantou a Ditadura Militar que, poucos anos mais tarde, daria lugar ao Estado Novo liderado por Salazar. Durante muitos anos comungou das posições oficiais do regime salazarista, particularmente do seu violento anticomunismo. Teve uma rápida ascenção na escala hierárquica (será o general mais jovem da Força Aérea) e ocupou posições de destaque nos orgãos de administração do Estado. As suas relações com o Reino Unido e os Estados Unidos colocam-no em contacto com democracias ocidentais que o impressionam a ponto de questionar a legitimidade do regime que servia. Em 1958 aceita o convite de oposicionistas para se candidatar à Presidência da República, concorrendo com o Dr. Arlindo Vicente, que virá a desistir a seu favor, e o Contra-Almirante Américo Thomaz. Manifesta-se claramente contra a continuação de Salazar à frente do Governo, o que incomodou os seus apoiantes mais conservadores mas incendiou os espíritos das massas populares. No entanto, apesar do forte apoio popular, acabou por ser derrotado, o que ele próprio e a oposição em geral nunca aceitarão. Convencido de que o Estado Novo não será derrubado nas urnas, procura atrair as chefias militares para um Golpe de Estado, ficando desiludido com a fraca adesão à sua ideia. Considerando-se em perigo, refugia-se na Embaixada do Brasil, antes de lhe ser permitido partir para o exílio. Do Brasil dá cobertura à Operação Dulcineia, desencadeada pelo Capitão Henrique Galvão, outro dissidente do regime e seu aliado, que captura o paquete Santa Maria (batizado "Santa Liberdade") com o propósito de atrair as atenções da opinião pública internacional para a situação política no País. A persistência na ideia da solução militar para derrubar o regime e a sua ousadia, que lhe valeram o cognome "General Sem Medo", levam-no a organizar uma nova tentativa revolucionária, no Ano Novo 1961-1962, com a colaboração de militares e civis, tomando de assalto o quartel de Beja. Falhada a revolta, o General, que entrara clandestinamente em Portugal, volta a atravessar a fronteira, para nunca mais regressar ao país. Do Magrebe procura outros apoios e aliados, continuando a crer no derrube do regime salazarista pela força das armas, posição que o opõe a outros setores, nomeadamente o Partido Comunista Português, que privilegiam a luta política paciente e pacífica. Esta posição isola progressivamente o General Delgado, que cada vez mais se distancia da realidade portuguesa. Este isolamento proporciona, em 1965, uma armadilha fatal: acreditando vir ao encontro de conspiradores que partilham as suas ideias, Humberto Delgado dirige-se à fronteira de Badajoz, sendo aí, presume-se, assassinado pela PIDE. O regime salazarista nunca reconhecerá oficialmente as suas responsabilidades pelo facto, mas os seus autores serão levados a juízo após o 25 Abril 1974. O clamor que se erguera na opinião pública criara dificuldades políticas a Salazar. Após a instauração da democracia, promovido postumamente a Marechal, o seu corpo foi trasladado para o Panteão Nacional.

Salgueiro Maia

Salgueiro Maia foi um dos emblemáticos capitães do Exército Português que liderou as forças revolucionárias durante a Revolução de 25 Abril. Em Outubro de 1964 ingressa na Academia Militar, em Lisboa e, acabado o curso, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, para frequentar o tirocínio. Foi comandante de instrução em Santarém. Integrou uma companhia de comandos na Guerra Colonial. Em 1973 iniciam-se as reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas e, Salgueiro Maia, como Delegado de Cavalaria, integra a Comissão Coordenadora do Movimento. Foi Salgueiro Maia quem comandou a coluna de blindados que, vinda de Santarém no dia 25 Abril 1974, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço. No Quartel do Carmo, forçou a rendição de Marcelo Caetano que entregou a pasta do governo a António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcelo Caetano ao avião que o transportaria para o exílio no Brasil. A 25 Novembro 1975 sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do Presidente da República. Será transferido para os Açores, só voltando a Santarém em 1979, onde ficou a comandar o Presídio Militar de Santarém. Foi promovido a Major em 1981 e, depois, a Tenente-Coronel. Em 1983 recebe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. Em 1984 regressa à EPC. Recusou, ao longo dos anos, ser membro do Conselho da Revolução, adido militar numa embaixada à sua escolha, governador civil do Distrito de Santarém ou pertencer à casa Militar da Presidência da República. Morreu em Abril 1992, tendo recebido, a título póstumo, o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e a Medalha de Ouro de Santarém.

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